Para tirar dúvidas: a diferença entre produção agroecológica e orgânica

Agricultura

28 OUT, 2020

Entrevistada:

Fernanda Hentz
Formações:
Zootecnista, Udesc
Mestrado em Zootecnia na área de Nutrição de Ruminantes, UFSM
Doutorado em Zootecnia na área de Nutrição de Ruminantes, UFSM
Pesquisadora da Epagri, Estação Experimental de Lages, cedida para a Alesc.

 

O sistema de produção convencional é pior do que os sistemas de produção agroecológico e orgânico?

 

Há propriedades convencionais em monocultura e diversificadas, altamente poluídoras, com grande uso de recursos naturais não renováveis, não preocupadas com questões sociais e éticas. Contudo, não se pode generalizar afirmando que toda a produção convencional está na forma de monocultura e/ou que toda a agricultura convencional não tem preocupação ambiental e social, e/ou que a agricultura convencional sempre produz produtos não seguros consumo humano.

Propriedades convencionais também podem pensar agroecologicamente. Não somente pequenas, mas muitas grandes propriedades convencionais tem adotado práticas produtivas mais sustentáveis, como a racionalização no uso dos recursos naturais, redução na utillização de defensivos agrícolas, substituição de insumos químico-sintéticos por insumos naturais e manejos biológicos de controle de insetos e pragas, rotação de culturas, plantio direto, manejo do solo e controle da erosão, preservação de recursos hídricos,  conservação, recuperação  e implantação de matas, etc. Podemos ainda ter propriedades convencionais promovendo equidade social, econômica e política na comunidade onde está inserido. Se colocarmos as regras na ponta do lápis, a grande maioria das propriedades da Agricultura Familiar em SC são propriedades que praticam uma agricultura vegetal e animal convencional, mas incorporando muitos princípios da Agroecologia em sua produção. 

A produção agroecológica não significa não-utilização de defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas e pesticidas), mas sim a racionalização no seu uso e substituição por defensivos naturais e manejo integrado de pagras sempre que possível, respeitando os prazos de carência de cada produto para a colheita dos alimentos. De igual modo, a produção agroecológica não significa nenhuma utilização de fertilizantes químicos de síntese ou nenhum uso de combustíveis fósseis. 

Na Agricultura Orgânica, a simples substituição de insumos químicos convencionais por insumos “alternativos”, “ecológicos” ou “orgânicos” não necessariamente a torna uma agricultura ecológica ou sustentável em sentido mais amplo. Podemos ter um sistema de produção orgânico em monocultura ou diversificado, feito com mão de obra-de-obra assalariada mal remunerada, com alta utilização de fontes não renováveis de energia, ou contaminando o solo com N e P pelo uso excessivo de adubação orgânica animal. 

 Não podemos condenar um ou outro sistema de produção somente pelo seu nome. A poluição do meio ambiente e desperdício dos recursos naturais pode ocorrer no sistema convencional, no orgânico e também no agroecológico. Isto não é dependente do sistema de produção diretamente, mas da conscientização de quem está produzindo em cada sistema, visto que os sistemas de produção não se executam por si só, mas são dependentes da ação do homem. 

 

Existem diferenças de qualidade entre alimentos produzidos de forma convencional, agroecológica ou orgânica?

 

Se consideramos o aspecto segurança de alimentos, especialmente no que concerne a presença de resíduos de agrotóxicos, podem existir sim diferenças muito significativas na qualidade dos alimentos produzidos de forma convencional, orgânica ou agroecológica.

Os alimentos produzidos de forma orgânica e os agroecológicos em sua grande maioria, são isentos de agrotóxicos. Alimentos produzidos no sistema convencional apresentam possibilidade de possuir resíduos de agrotóxicos acima dos permitidos e/ou presença de agrotóxicos de uso não permitido, porque é um sistema onde, via de regra, há maior utilização de defensivos agrícolas. Para alguns alimentos convencionais, a ocorrência de amostras de alimentos com presença de resíduos de agrotóxicos acima do permitdo é muito alta.

Entretanto, outro aspecto é o valor nutricional dos alimentos. A maioria dos consumidores acredita que os alimentos agroecológicos ou orgânicos possuem valor nutricional melhor que os alimentos convencionais por estarem associados a um processo de produção mais natural e sem uso de agrotóxicos, mas isto não é verdade. Por exemplo, a carne de bovinos de uma mesma raça recebendo a mesma dieta, produzidos em um sistema agroecológico, orgânico ou convencional apresentará exatamente o mesmo valor nutricional. Isto é, possuirá a mesma concentração de proteínas, gordura, minerais, vitaminas e água na sua composição, porque não é o sistema quem determinará o valor nutricional da carne, mas o que os animais consomem. Sob as mesmas condições de solo, clima, fertilização, etc, alface produzida em um sistema convencional não apresentará valor nutricional pior que que alface produzido em um sistema agroecológico ou orgânico.

 

 Foto: MST/Divulgação 


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